
Preta Gil deixa marca na música, na televisão e no ativismo. Secretário de Cultura da Bahia afirma: “Ela fez da arte um lugar de acolhimento, coragem e liberdade”.
A cantora, atriz, apresentadora e empresária Preta Maria Gadelha Gil Moreira, conhecida como Preta Gil, faleceu neste domingo (20/07/2025), aos 50 anos, em Nova Iorque, onde realizava tratamento contra um câncer no intestino. Filha do cantor Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, Preta deixa um legado marcante nas artes, na cultura e na luta por representatividade no Brasil.
Em nota oficial, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) destacou que a artista possui 12 obras musicais e 271 gravações registradas na gestão coletiva da música brasileira. Já a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) emitiu um profundo voto de pesar, reconhecendo o papel de Preta Gil como uma figura de relevância nacional e símbolo de resistência e inclusão.
Nota de pesar – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia
“A Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA) lamenta profundamente o falecimento da cantora, atriz, empresária e produtora cultural Preta Gil (…). Mulher negra, artista plural e figura importante na luta por representatividade e liberdade, Preta Gil deixa um legado na cultura brasileira, construído com coragem, alegria e autenticidade.”
A nota enfatiza que, embora nascida no Rio de Janeiro, Preta Gil sempre expressou orgulho por suas raízes baianas, mantendo vínculos afetivos e artísticos com a Bahia, terra de sua ancestralidade e da tradição cultural que moldou sua identidade. A artista teve presença constante no Carnaval de Salvador, onde comandou trios elétricos com mensagens de liberdade, diversidade e respeito.
“A Bahia, que faz parte da história de sua família, de sua música e da sua essência, se despede com gratidão”, afirmou o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro.
Carreira artística e atuação política
Preta Gil estreou como cantora em 2003 com o álbum Prêt-à-Porter, e logo passou a ser reconhecida por sua ousadia artística. Gravou quatro álbuns de estúdio, promoveu turnês nacionais e lançou o famoso “Bloco da Preta”, um dos maiores blocos carnavalescos do Rio de Janeiro. Atuou também como atriz, apresentadora de televisão e jurada em programas de grande audiência.
Na televisão, esteve em produções como Agora é que São Elas, Esquenta!, Vai que Cola e The Voice Brasil. No cinema e teatro, participou de obras como Billi Pig e o monólogo Mais Preta que Nunca!.
Empreendedora e referência no marketing de influência
Em 2017, fundou a Mynd, agência de marketing de influência e entretenimento, ao lado de Fátima Pissarra e Carlos Scappini. A empresa atuou em campanhas com grandes marcas como Avon, Itaú, Coca-Cola, Natura, Ambev, TikTok e Sony Music, e venceu o Prêmio Caboré 2019.
Compromisso com diversidade, saúde e inclusão
A atuação de Preta Gil ultrapassou o palco. Declaradamente bissexual e pansexual, foi uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos LGBTQIA+, da representação de corpos diversos e do combate ao racismo estrutural. Em seus shows e entrevistas, abordava temas considerados tabus com transparência e coragem.
Diagnosticada com câncer no intestino em 2023, conduziu seu tratamento de forma pública, promovendo debates sobre saúde, acolhimento e visibilidade da doença. A SecultBA lembrou, na nota de pesar, a força com que Preta enfrentou a enfermidade:
“Ela construiu sua trajetória profissional e artística ancorada na sensibilidade, no compromisso com a liberdade e no respeito às diferenças. Falou de temas espinhosos com a delicadeza e a força de quem não tinha medo da verdade.”
Presença viva na cultura brasileira
A morte de Preta Gil marca o fim de uma trajetória artística que influenciou não apenas a música e a televisão, mas também os debates públicos sobre identidade, pertencimento e liberdade de expressão. Sua memória permanecerá viva na história da cultura nacional e no imaginário do povo baiano, que a acolheu com reverência.
“Neste momento de luto, a SecultBA se solidariza com os familiares, amigos, fãs e com toda a classe artística. Seu legado permanecerá vivo na memória afetiva do povo baiano e nos muitos gestos de amor e resistência que marcaram sua trajetória.”
Por Jornal Grande Bahia